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Escrito por Administrador   
Dom, 04 de Outubro de 2009 21:00
O problema vai além do prejuizo.
 
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) vazou. A prova, que deveria acontecer no início de outubro, foi adiada por suspeita de fraude. A denúncia veio do jornal O Estado de São Paulo, que foi procurado pelos responsáveis pelo furto da prova, em troca de R$ 500 mil.
 
O jornal entrou em contato com o Ministério da Educação (MEC), que confirmou o conteúdo do teste e resolveu adiar a prova para novembro. Estima-se que o prejuízo financeiro ao Governo Federal é na ordem de R$ 35 milhões. A primeira pergunta a se fazer é a seguinte: quem paga essa  conta avultante? Por certo seremos nós contribuintes.

O vazamento do conteúdo da prova traz um problema que vai além da preocupação em imprimir novos testes e tentar reduzir os prejuízos. A questão será identificar quem está por trás da fraude. Afinal, a segurança das informações está, agora, comprometida e encontrar o envolvido será – ou ao menos deveria ser – a principal tarefa do MEC. O ministro da Educação, Fernando Haddad, acredita que o vazamento aconteceu durante a impressão das provas, realizada na gráfica Plural, em São Paulo. A gráfica nega e se exime da responsabilidade da fraude. Acontece que o culpado pode estar em qualquer uma das etapas do processo, até mesmo dentro do próprio MEC. Por outro lado, este fato põe em suspeição todas as provas do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes -  ENADE realizadas anteriormente pelo MEC. Quem nos garante que o conteúdo delas  não  vazou? 

Tal suspeição nos faz afirmar que o sistema do ENADE também  é imensamente falho de modo a não garantir uma aferição idônea daqueles alunos que  se esforçaram e estudaram em instituições  de ensino superior  sérias e  compromissadas com a qualidade do ensino, possibilitando àqueles fraudadores,  obterem melhores notas,  prejudicando os alunos e as próprias instituições.

O saldo da notícia do adiamento do Enem praticamente na véspera da realização da prova é de milhares de estudantes preocupados em todo o País. Em onze anos do Enem, este foi o de maior número de inscritos. Foram 4.147.527 candidatos de 1,8 mil cidades brasileiras. Em Pernambuco são mais de 231 mil alunos. Agora, os jovens estão nas ruas, em protesto, criticando o MEC pela falta de segurança das informações da prova. E não pense o governo que a preocupação dos candidatos em  ingressar nas universidades está na quebra da ansiedade, mas no medo do Enem não garantir uma seleção idônea, sem fraudes, e que possibilite a aprovação daqueles que se prepararam com seriedade por pelo menos um ano.

A segunda pergunta a se fazer é a seguinte: quem   será o responsável pelos danos morais e materiais de mais de quatro milhões de estudantes e de mais de quatro milhões de famílias dos estudantes? Um programa como o ENEM que mobiliza milhões de jovens e milhões de famílias deveria ter sido amadurecido e estudado à exaustão. A sua implementação só deveria ter sido feita com pelo menos três anos de estudos aprofundados. Mas não. O senhor ministro da Educação, que gosta muito de palco iluminado,  com pretensões eleitoreiras,  em menos de seis meses,  empurra pela goela abaixo de milhões de brasileiros um  novo sistema de avaliação, praticamente erradicando o  quase centenário vestibular. A esperança é que o ocorrido sirva de lição!

Inácio Feitosa é Mestre em Direito Educacional e Advogado ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ).
Última atualização em Qui, 17 de Dezembro de 2009 16:20